O sistema de chuveiros automáticos é um dos mais eficientes quando projetado e instalado de acordo com as normas técnicas oficiais, pois detecta, alarma e combate o incêndio sem a ação humana. Os demais sistemas de supressão sempre dependem do acionamento de detectores externos, já no caso do sprinkler isto ocorre simultaneamente: quando o calor extrapola o que está projetado para o bulbo suportar, ocorre a quebra do vidro do elemento termo sensível, a água começa a sair pelo orifício do bico e a passagem de água pela tubulação faz acionar um gongo hidráulico. Temos portanto as três ações desencadeadas automaticamente sem a atuação do brigadista ou bombeiro profissional.

Para que isto ocorra, é necessário que o sistema esteja instalado de acordo com o que foi projetado e que tenha sido desenvolvido exatamente como estabelece a norma. Quando projetamos um sistema de hidrantes, por exemplo, a variação de um ou dois metros na localização do equipamento não fará muita diferença na hora do incêndio, o mesmo não se pode dizer do sistema de chuveiros automáticos, pois deve ser instalado exatamente nos locais e nas alturas em que foi projetado. Não é raro surgirem obstáculos para a sua atuação no momento da instalação. Uma vez que nem todos os elementos estão dispostos no projeto, podem existir tubulações de outros sistemas, dutos de ar condicionado, correias transportadoras e etc. Nestes casos, ações devem ser tomadas para que os bicos não fiquem obstruídos.

Nos nossos 17 anos fazendo vistorias nos sistemas de proteção contra incêndio de edificações, notamos que a maioria dos instaladores não detém os conhecimentos básicos do funcionamento deste sistema. É muito comum encontrarmos situações em que os chuveiros automáticos estão obstruídos, mesmo que a NBR 10.897 ou a NFPA 13 determine claramente o que fazer ou como determinar a obstrução de um bico. A ignorância deste detalhe pode comprometer toda a instalação, pois, no caso do incêndio começar abaixo destes locais com inconformidades, a atuação do sistema será retardada e quando iniciar o combate pode ser tarde demais, já que cada bico foi projetado para um certo tamanho de incêndio podendo ter sua funcionalidade comprometida se acionado tarde.

Outra situação errada, mas muito comumente encontrada, é uma instalação com bicos mais distantes do teto do que a norma permite. Qualquer profissional que estuda os princípios de funcionamento do sistema sabe que o bico precisa ficar próximo do teto, pois é onde a caloria vai se concentrar e na sequência acionar o bico. Quando esse bico fica muito baixo e longe do teto, demora  para a temperatura se elevar o suficiente para acioná-lo. Este conhecimento básico de física nem sempre é obedecido. Já nos deparamos com casos reais em que prédios com mais de dez mil metros quadrados tiveram seus bicos instalados a mais de um metro de distância do teto, é certo que o instalador não foi supervisionado por um engenheiro especialista nesta área, pois o prejuízo para se corrigir o problema foi enorme, sem falar na demora para conclusão da obra.

O que dizer de uma instalação, dada como concluída, cujos bicos estão com as peças plásticas usadas como proteção durante o transporte? Parece fácil de corrigir o problema, mas imaginem resolver esta questão em um hospital em que o pé direito tem mais de dez metros e todo canteiro de obras já foi desmobilizado. Seria muito simples de corrigir se houvesse a supervisão de um profissional com treinamento adequado. Aliás, treinamento é a palavra chave desta questão. Com um aumento considerável na demanda de instaladores de sistemas de proteção contra incêndio nos últimos anos, muitos entraram no mercado sem conhecerem as normas a fundo, sua única referência eram os comunicados de irregularidades do Corpo de Bombeiros.

Para mudar esta realidade, a FUNDABOM desenvolveu um curso específico para este sistema nos mesmos padrões de qualidade do curso desenvolvido na NFPA (National Fire Protection Association), apenas com algumas pequenas variações: foi retirado o conteúdo que fala sobre congelamento e terremoto, pois não temos estes problemas no Brasil, e foi aprofundado o conteúdo de cálculo hidráulico em ramal aberto e em gride. Os cursos avançados da FUNDABOM já capacitaram centenas de profissionais, afinal, não há outra maneira de transformar esta realidade.

A escolha do instalador dos sistemas de proteção contra incêndio é um momento extremamente crítico e, caso não seja uma escolha técnica, vai proporcionar problemas no momento da aceitação destes sistema. A escolha unicamente pelo preço é a opção mais trágica possível, normalmente elas estão inversamente relacionadas com a capacidade dos instaladores.

Ainda não é exigido pelos órgãos fiscalizadores a capacitação técnica do instalador, em alguns Estados é exigido apenas um cadastro no órgão e no Conselho Regional de Engenharia ou Arquitetura, mas como é sabido que este assunto não é tratado nos cursos de graduação, cabe ao contratante exigir do instalador prova de sua competência com a apresentação de diplomas específicos para os sistemas que se pretende realizar, pois estes cursos já existem no mercado e quem os frequenta notadamente demonstra que está atualizado e que tem um diferencial com relação aos demais instaladores.

A seleção natural dos instaladores depende em grande parte da escolha correta pelos contratantes e o critério técnico deve sempre preceder o econômico, pois em engenharia normalmente não se consegue um bom serviço contratando o menor preço, principalmente se ele estiver bem abaixo dos demais. O que ocorre em grandes empresas com processos de compras profissionais é que a escolha final é feita pelo comprador – que não domina o mercado e não conhece as empresas e suas características – e não pelo técnico da área que necessita o serviço, que por uma questão de processos internos não pode interferir na escolha final do fornecedor.

Quer aprender mais sobre chuveiros automáticos? Do dia 16 a 20 de abril, a FUNDABOM ministrará o curso de Chuveiros Automáticos, que abrange o estudo de todos os tipos de sistema, seus componentes e também o cálculo hidráulico para sistemas em ramais abertos ou em gride. Faça a sua inscrição clicando aqui.

Autor: Silmar da Silva Sendin, Engenheiro Civil e de Segurança Especialista em Proteção Contra Incêndios e Coordenador Pedagógico da FUNDABOM.