A compartimentação de ambientes é um tema muito importante e que precisa ser debatido e compreendido por todas as pessoas que atuam na prevenção contra incêndios. Isso porque as paredes e lajes corta fogo podem se tornar muito complexas quando não nos atentamos às configurações desses sistemas, principalmente quando analisamos cada um dos componentes que formam as paredes e lajes, como também as janelas, portas, vãos, tubulações e cabeamentos passantes.

Quando o tema é compartimentação, é importante falarmos de 3 propriedades essenciais de resistência ao fogo:

  1. INTEGRIDADE: confere resistência mecânica sem ruir, trincar e sem permitir passagem de fogo e fumaça;
  2. ESTANQUEIDADE: impede a passagem de chamas e fumaça;
  3. ISOLAMENTO TÉRMICO: impede a elevação da temperatura na face não exposta ao fogo, mantendo sob controle a radiação térmica.

Os sistemas de compartimentação devem apresentar um TRF (Tempo de Resistência ao Fogo) que usualmente se determina em minutos: 30, 60, 90 e 120 por exemplo. Ou seja, cada uma das propriedades acima são testadas em laboratório por normas de ensaio que os testam em tempos de resistência ao fogo.

Um dos fatores mais importantes a serem destacados ocorre nestas classificações, em que a resistência ao fogo se desdobra em 3 categorias conforme a tabela:

compartimentacao-de-ambientes

Ocorrem casos em que o componente não atende ao isolamento térmico, conhecido como pára-chamas, o qual não atende aos requisitos de compartimentação horizontal e vertical previstos em regulamentações, incluindo a IT-09 do CBMESP, já que a propagação de chamas entre os ambientes compartimentados poderá ocorrer rapidamente devido à auto-ignição dos elementos combustíveis no ambiente sem chamas. Portanto, durante a elaboração ou execução de um projeto, é importante buscar sempre por componentes e sistemas que atendam categorias de resistência ao fogo com isolamento térmico.

Cuidados em edificações

Existem também outros cuidados que devemos nos atentar nas edificações nos casos de lajes corta-fogo, nas quais a infraestrutura hidráulica, elétrica e os serviços acabam tendo aberturas que invalidam a compartimentação vertical. Nestes casos, os sistemas de selo corta-fogo (firestop), que são um conjunto de produtos que possuem a certificação corta-fogo específica para cada situação e devem ser corretamente instaladas para que cumpram efetivamente a sua função de impedir a propagação de incêndios.

Recomendamos que valide a certificação do sistema, pois ele deverá representar o vão da sua edificação, com os mesmos tipos de elementos passantes e o tempo de classificação do selo corta-fogo. As normas internacionais com processos de qualidade e certificação mais conhecidos são da UL1479 (Standard for Fire Tests of Penetration Firestops), ASTM E814-13A (Standard Test Method for Fire Tests of Penetration Firestop Systems) e em casos nacionais, onde não temos o processo de certificação, a NBR6479 (Portas e vedadores – Determinação da resistência ao fogo), norma esta que, por estar defasada em relação a outras normas internacionais, deve ser revisada em breve pelo CB-24 (Comitê de Segurança Contra Incêndio da ABNT) e modernizada para atender às especificações internacionais e processos de qualidade e certificação mais criteriosos.

Da mesma forma, podemos citar um exemplo de compartimentação horizontal, onde as paredes corta-fogo possuem janelas e passagens  que devem refletir as mesmas propriedades da parede, por meio de de sistemas envidraçados especiais (vidros + esquadrias + acessórios), cortinas corta-fogo automatizadas, ou portas corta-fogo.

Entendemos que a compartimentação de ambientes é uma prática de proteção passiva utilizada há centenas de anos, e hoje ainda continua sendo uma das melhores medidas de segurança contra incêndio. Fique atento aos detalhes, garantindo assim que as pessoas que ocupam a edificação consigam evacuar em segurança e que os Bombeiros que irão efetuar resgate e salvamento, possam atuar em segurança, inclusive sem risco iminente de colapso estrutural e descontrole da situação.

Jeffery Lin é especialista em proteção passiva contra o fogo, atuante neste mercado há mais de dez anos, membro ativo do CB 24/SP (Comissão de Segurança Contra Incêndios organizada pela ABNT), do Green Building Council Brasil para certificação de obras LEED, coordenador do comitê técnico de CMAR da ABPP (Associação Brasileira de Proteção Passiva), associado ao CBCA (Centro Brasileiro da Construção em Aço), membro da NFPA e diretor na CKC do Brasil.